quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018


OS QUE ME ATRAVESSAM

Sigo por aqui
Tocando a vida em meus  atropelos,
E quando não há o que se fazer
Fico
Á margem do que está antes de mim
Penso nos desenhos  traçados pelos meus rastros
Avisto vocês
Tenho vontade de tombar minha cabeça nos colos de acalento
Não posso refazer nenhuma parte do trajeto
Nem mesmo teria  forças para voltar atrás
Experiências marcam dores, outros arranjos,
amores
Ontem estava  mais perto do passado e
com toda distância,
se não me pereço diminuído, levo a crer
na luz que vêm irradiada dos olhos de vocês
Projetando minha sombra para além de mim
Gigante
Um convite para dançar, manter o movimento
Por onde vou
Carrego um  pano amarrado a um pedaço de pau
Minha bagagem
Levo tudo  que tenho nesse gesto
Sempre adeus
Ascenando meu estandarte
Decifro o sentido para o proximo passo e sinalizo
Consciente que tudo que tenho,
pulsa em qualquer distância,
Dentro de mim!


                                     13/09/2017 Ditto Leite

terça-feira, 26 de maio de 2015

Um Nome
Eu peço por um nome que apague o seu e abrace minha garganta.
Por horas engasgo sozinho velando a paz intermitente.
A voz do silêncio impávida parece sem pressa,
Guarda em segredos o tempo onde resta em memória a palavra derradeira.
Em tudo ressona Miguel.
Até que um dia em silêncio eu perdoe.
Até que o tempo esqueça de lembrar.
Até que os segredos nos traiam e revele onde em meio as mentiras te escondi,
Eu peço por um nome,
Um nome de verdade, dado a alguém que não precisarei inventar.

Ditto leite 27/05/2015   1:48 hrs
  

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

CHICO

Sempre que ele se mexia o meu corpo se abria
No desejo que adentrasse e se pusesse a beijar
Minha alma derretia, visto que deslumbraria
Ter meu corpo assim entregue, Como quem se deixa amar

Em seus braços me rendia, revelando sem pudor
Minha pele e o desfecho, quando se sente o amor
Rasga o tempo vira mágoa, nos afunda sem saber
Mas bastava olhar pra mim, fazendo tudo renascer

Não queria que soubesses, tão profundo como eu sou
Para que também viesse se entregar ao meu amor
Fecho os olhos, e espero minha alma se aterrar
Quando o céu da boca dele, meu nome vier chamar

E tão cedo ele partia, sem motivo a esclarecer
O meu peito sucumbia, esperando amanhecer
Outro dia, outra alegria, de uma nova aparição
Que arrombasse a minha porta pra mais uma invasão

Nunca era de costume, que chegasse a avisar
Tão seguro e sorrateiro vinha sem eu convidar
Mas bastava ele querer, me punha a disposição
Me entreguei por tantas vezes, sem qualquer objeção

Na esperança que soubesse, tão profundo como eu sou
E sem medo, ele viesse se entregar ao meu amor
E sozinho, ainda espero, minha alma se aterrar

Quando o céu da boca dele o meu nome vier chamar

Ditto Leite 20/01/2015 00:50 hrs 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

ENTREMEIOS


Estranha a mente
o laço aperta
a voz rebenta
a dor começa
nos embaraços
criam-se frestas
Por onde ver
o que interessa?
pelo meio,
pelo fio?
pelo apelo
ou desvio?
trava, acorda
a força desse elo
de ponta a ponta
eu me revelo
por entremeio
onde se encontra
o nó na linha
que alinha o belo.
Ditto Leite 22 junho 2014






RIO MEANDRANTE

Foi numa sequencia continuada de si mesmo que o vi partir.
Fugidio daquilo que não entendia ter, provavelmente, incorporou-se a um ultrassom que legitimava seu movimento.
Desbravando as curvas do seu querer, adulterando suas descobertas, deixando escorrer.
Um braço de rio que sai, rasgando a floresta, desnudando-se diante da natureza de seu curso e buscando um caminho pra ser.
Aquilo tudo me assustava mas, condizente, diante daquela mutabilidade de seu tempo líquido, passei a contemplar a expansão de seu transbordamento.
Rio de meandros divagantes que, em suas voltas, termina por abandonar o que de si já não pertence mais.
Por essas águas naveguei meu corpo, alimentei a terra,
chorei minha infecundidade no estanque de suas secas,
vi banhar mulheres e homens.
Águas a se estenderem na profundidade da sua fonte.
Levam tudo, tudo leve,
do extremo e justo, meu coração,
e me afogam, quando minha alma quer respirar.
( Ditto leite 20/09/2014 03:10 hrs )




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014




     Ande e olhe   (ANDREOLI ) 


Porque a saudade assombra os cantos desse fado
enquanto os olhos vêem um sol em seu retrato
e sua luz clareia tudo noite a dentro
revelando em mim ocultos pensamentos
deixei escorrer pelo meu rosto á fora
uma alegria urgente que não vai embora!

Vem, sai do meu pensamento e
materializa agora
todo o meu sentimento pede
vê se não demora

Vem, que a gente dá risada
nem precisa de piada
foram poucas as vivências mas
valeu uma jornada

Vem, sai do meu pensamento e
materializa agora
todo o meu sentimento pede
vê se não demora

Porque estar contigo abranda meu cansaço
a inadequação que é minha, ganha espaço
teu corpo propõem um movimento novo
seguindo pela vida olhando só pros lados
é nosso presente, não jogamos fora
uma alegria urgente que não vai embora

Vem, sai do meu pensamento e
materializa agora
todo o meu sentimento pede
vê se não demora

Vem, que a gente dá risada
nem precisa de piada
foram poucas as vivências mas
valeu uma jornada

Vem, sai do meu pensamento e
materializa agora
todo o meu sentimento pede
vê se não demora





                                        Para Bianca Andreoli por Ditto Leite 27/02/2014